sábado, 25 de junho de 2011

25 - A importância dos soldados

Segue um trecho do discurso do presidente americano Barack Hussein Obama, proferido em 29 de maio, no Memorial Day. Encontrei esse trecho no blog http://aircombatcb.blogspot.com/, de Carlos E. Di Santis. As palavras de Obama invocam um realismo histórico que muita gente (incluindo muitos historiadores e professores de História) se nega a aceitar por motivos ideológicos ou ingenuidade.


...É graças aos soldados, e não aos sacerdotes, que podemos ter a religião que desejamos. É graças aos soldados, e não aos jornalistas, que temos liberdade de imprensa. É graças aos soldados, e não aos poetas, que podemos falar em público. É graças aos soldados, e não aos professores, que existe liberdade de ensino. É graças aos soldados, e não aos advogados, que existe o direito a um julgamento justo. É graças aos soldados, e não aos políticos, que podemos votar..."

terça-feira, 14 de junho de 2011

24 - Grécia: Época Clássica e Época Helenística

Pessoal, segue um resumo das aulas de Grécia Clássica e da Época Helenística.

Grécia: A Época Clássica (500-336 aC)

Durante a Época Clássica, a civilização das póleis atingiu o seu apogeu e conheceu um desenvolvimento artístico, literário e filosófico sem paralelo na história da Grécia Antiga. Mas esse período foi também marcado por grandes conflagrações, as Guerras Médicas e a Guerra do Peloponeso. As primeiras afirmaram a independência das cidades-estados gregas e a segunda iniciou o seu declínio.

1. As Guerras Greco-Persas ou Guerras Médicas (500-448 aC)

Foram as guerras entre os gregos e os persas/medas (iranianos), causadas pela tentativa do Império Persa de dominar a Grécia. O conflito foi descrito pelo historiador Heródoto.

As guerras começaram como uma luta defensiva das póleis contra o imperialismo dos persas, mas, no final, ela favoreceu a expansão do poderio de Atenas no Mar Egeu e sua transformação na cidade-Estado hegemônica da Grécia.

1.1 Antecedentes

546 aC. O Império Persa conquista as póleis do litoral da Ásia Menor. O Império Persa, cujo núcleo era o Irã, dominava a maior parte do Oriente Próximo. Em 546 aC ele conquistou a Ásia Menor, inclusive as póleis localizadas no litoral do Mar Egeu fundadas pelos gregos na Primeira Diáspora (1000-900aC). Dessas cidades-Estados gregas, as mais ricas e famosas, como Mileto, localizavam-se na região da Jônia, que mantinha com Atenas fortes laços comerciais e culturais. Especialmente para Atenas, a Jônia e sua vizinha do norte, a Eólia, tinham uma grande importância econômica. Pelos seus portos passavam os navios que traziam trigo e escravos que os atenienses importavam das colônias gregas do Mar Negro.

Os persas interferiram nos assuntos internos das póleis e instalaram tiranos para governá-las e cobrar tributos.

1.2 A Revolta da Jônia (500-494 aC)

As póleis jônicas, lideradas pela cidade de Mileto, tentaram recuperar a independência em uma guerra de libertação contra os persas. Atenas e a polis de Erétria enviaram tropas para ajudar os rebeldes.

A rebelião fracassou. O imperador persa Dario I reconquistou a região, escravizou parte da população e, em represália pela participação de Atenas e Erétria na revolta, ordenou a invasão da Grécia continental.

1.3 A primeira invasão persa (490 aC)

Comandada por Datis e Artafernes, representantes de Dario I

Destruição de Erétria

490 aC, agosto. Batalha de Maratona: 10 mil hoplitas de Atenas (9 mil) e de Platéia (1 mil) derrotaram 30 mil persas em Maratona, próximo de Atenas.

Os persas retiraram-se da Grécia.

1.4 A segunda invasão persa (480-479 aC)

Sob o comando de um novo imperador, Xerxes I, os persas invadiram novamente a Grécia.

Para enfrentar o inimigo comum, as póleis fizeram uma aliança militar, a Liga Helênica. Esparta assumiu a liderança dos exércitos da Liga, mas Atenas destacou-se com uma co-liderança informal das forças navais. Os espartanos também lideravam uma outra aliança mais antiga das poleis do sul da Grécia (Liga do Peloponeso, criada em 550 aC)

480 aC, setembro. Batalha das Termópilas: 7 mil hoplitas gregos comandados pelo rei Leônidas de Esparta conseguiram conter por três dias 80 mil persas, atrasando o movimento dos invasores. No final,  Leônidas ordenou a retirada da maioria das tropas, mas permaneceu em Termópilas com 1400 hoplitas (300 espartanos, 700 de Téspia e 400 de Tebas). Os persas venceram a batalha e massacraram os gregos (morte de Leônidas). A batalha virou símbolo do heroísmo e do sacrifício coletivo pela liberdade da Grécia.

Os persas destruíram Téspia, Platéia e Atenas (a população tinha sido previamente evacuada para a ilha de Salamina)

480 aC, setembro. Batalha de Salamina: 370 navios gregos (metade deles atenienses), sob o comando operacional de Atenas, derrotaram 700 navios persas. Foi a batalha naval decisiva da guerra.

Depois de Salamina, Xerxes retirou-se da Grécia com o que restou de sua frota (500 navios), mas manteve parte do seu exército em território grego, sob o comando do general Mardônio, com a missão de destruir a Liga Helênica.

479 aC, agosto. Batalha de Platéia: 40 mil gregos, comandados pelo rei espartano Pausânias, derrotaram 70 mil soldados do Império Persa liderados por Mardônio (morto nos combates). Os remanescentes do exército persa abandonaram a Grécia. Foi a batalha terrestre decisiva da guerra.

Enquanto ocorria a Batalha de Platéia, outro importante confronto ocorreu na Jônia entre a Liga Helênica e o Império Persa: a Batalha de Mícale, quando 11 mil hoplitas (de um contigente naval de 40 mil gregos), sob o comando do outro rei espartano, Leotíquides II, derrotaram 60 mil persas e destruíram sua frota, atracada nas proximidades. A vitória da Liga Helênica foi seguida da libertação da Jônia e de outras partes das áreas gregas da Ásia Menor.

A dupla vitória grega em Platéia e Mícale inviabilizaram os planos persas de conquistar a Grécia continental e enfraqueceram seu domínio na Ásia Menor. A partir de 479 aC, os gregos assumiram a ofensiva e as Guerras Greco-Persas viraram um conflito pelo expulsão dos persas do Mar Egeu e das demais regiões da Ásia Menor que eles ainda controlavam.

1.5 Conseqüências das derrotas persas de 490-479 aC

A guerra dos gregos contra os invasores persas foi um dos conflitos mais decisivos da história. Apesar de sua inferioridade numérica (os gregos nunca conseguiram reunir mais de 40 mil soldados, enquanto os persas contaram com 100 mil homens na segunda invasão, entre forças terrestres e navais), as póleis derrotaram o império mais poderoso da época, preservando a independência e as tradições políticas e culturais helênicas, das quais somos herdeiros. No século V aC, mas principalmente no mundo ocidental contemporâneo, as Guerras Persas foram interpretadas ideologicamente como o início do confronto entre o Ocidente, com seus valores de liberdade e individualismo, e o Oriente, com suas tradições de despotismo.

2. As Guerras de Hegemonia (460-338 aC)

Foram guerras entre póleis rivais (Atenas, Esparta e Tebas) pela hegemonia ou supremacia na Grécia.

2.2 A hegemonia de Atenas (475-430 aC)

A continuação das Guerras Greco-Persas

Para muitas póleis, o fracasso do Império Persa na tentativa de conquistar a Grécia não encerrou as Guerras Médicas. Os espartanos consideravam que o conflito havia sido concluído com a expulsão do exército de Xerxes e a libertação da Jônia, mas não era essa a visão dos atenienses e dos jônios, que temiam novos ataques persas no futuro.

477 aC. Criação da Liga de Delos. A Liga de Delos foi uma nova aliança militar das póleis, sobretudo da Jônia e das ilhas do Mar Egeu. A Liga foi liderada por Atenas e não contou com a participação de Esparta, que continuou chefiando outra aliança, a Liga do Peloponeso. Com objetivos formalmente defensivos, a Liga de Delos visava também expulsar os persas dos territórios que eles ainda controlavam na Ásia Menor e no Egeu, regiões estratégicas para os atenienses.

As cidades membros da Liga tinham que contribuir anualmente fornecendo navios ou dinheiro para a manutenção de um tesouro comum, inicialmente sediado na ilha de Delos, local de um importante santuário. Os recursos da Liga financiaram uma grande marinha de guerra comandada por Atenas.

O fortalecimento de Atenas

Além de financiar a guerra contra os persas, os recursos da Liga foram utilizados pelos atenienses para reconstruir e embelezar Atenas (favorecendo o seu desenvolvimento cultural), remunerar os cidadãos pobres que participavam do regime democrático (que foi aperfeiçoado), ampliar sua esquadra (com marinheiros pagos) e fortalecer o seu comércio.

Por meio da Liga de Delos, Atenas criou um império marítimo e comercial no Mar Egeu e estabeleceu a supremacia ateniense sobre o mundo grego. Na prática, a Liga de Delos virou uma confederação marítima ateniense.

A Era de Péricles: a Idade de Ouro de Atenas

Péricles (495-429 aC) foi o político mais famoso de Atenas no século V aC. Aristocrata que liderou a facção democrática, Péricles era formalmente um estratego (general eleito), mas, na prática, desde a o final da década de 460 aC, ele se transformou no principal dirigente dos atenienses.

A “Época de Péricles” (460-429 aC) foi o momento mais famoso da democracia e da cultura atenienses (a Idade de Ouro de Atenas), cujo desenvolvimento foi, em grande medida, sustentado pela Liga de Delos.

Por iniciativa de Péricles, em 461 aC foi criada a mistoforia (a remuneração dos marinheiros e do exercício de alguns cargos públicos, aumentando a participação dos pobres na democracia); em 458 aC, cidadãos de baixa renda foram admitidos no arcontado (magistratura); em 454 aC o tesouro da Liga de Delos foi transferido para Atenas, ampliando o controle ateniense sobre os recursos dos aliados; e em 451 aC, a cidadania foi restringida, estipulando-se que apenas filhos de pai e mãe atenienses seriam considerados cidadãos. Péricles também construiu templos (como o Partenon) e estimulou o desenvolvimento artístico, sobretudo o teatro (as tragédias de Ésquilo, Sófocles, e Eurípedes; as comédias de Aristófones).

O imperialismo ateniense

O desenvolvimento cultural e democrático de Atenas na Era de Péricles foi acompanhado por um crescente imperialismo ateniense sobre as outras póleis. A maioria das cidades da Liga passou a ser tributária de Atenas e, em várias delas, foram estabelecidas colônias de cidadãos atenienses (as cleruquias). As póleis que tentaram abandonar a Liga foram punidas e os atenienses passaram a interferir nos assuntos de outras cidades-Estados, forçando a adesão à Liga ou substituindo oligarquias por democracias. O crescente imperialismo ateniense levou Esparta a entrar em confronto com Atenas.

2.3 A Primeira Guerra do Peloponeso (460-445 aC)

Foi a primeira guerra entre Atenas (Liga de Delos, póleis democráticas) e Esparta (Liga do Peloponeso, póleis oligárquicas). O conflito ocorreu na fase inicial da Era de Péricles, quando foram feitas as reformas democráticas radicais, e em meio a guerra da Liga de Delos contra os persas. No confronto ateniense-espartano, o equilíbrio de forças gerou um impasse militar, sem que um dos lados conseguisse uma vitória decisiva sobre o adversário.

448 aC. Paz de Calias. Acordo de paz entre Atenas (Liga de Delos) e o Império Persa (imperador Artaxerxes I), encerrando as Guerras Greco-Persas. A Pérsia reconheceu a autonomia das póleis da Jônia e retirou-se do Mar Egeu, em troca do compromisso ateniense de não interferir no Império Persa, isto é, não apoiar revoltas nas províncias persas.

445 aC. Paz dos 30 Anos. Entre Atenas e Esparta, encerrando a Primeira Guerra do Peloponeso. Atenas reconheceu a hegemonia espartana no Peloponeso e Esparta reconheceu a supremacia naval ateniense no Egeu.

No entanto, depois do acordo de paz, sob a liderança de Péricles o poderio marítimo e o imperialismo ateniense não pararam de crescer e a rivalidade com Esparta aumentou, o que acabou desencadeando uma nova guerra de hegemonia.

2.4 A Segunda ou Grande Guerra do Peloponeso (431-404 aC)

Essa guerra foi o mais famoso conflito militar entre as póleis, descrito, principalmente, pelo historiador grego Tucídides. Novamente Atenas, junto com a Liga de Delos, enfrentou Esparta e a Liga do Peloponeso.

Como no confronto anterior, o equilíbrio de forças gerou, inicialmente, um impasse militar. Mas dois desastres atingiram Atenas: uma peste em 430-427 aC matou um grande número de atenienses, entre eles Péricles (429 aC); e em 415-413 aC, uma audaciosa expedição naval polis de Siracusa na ilha da Sicília planejada por Alcebíades (primo de Péricles e principal liderança da época) foi derrotada, resultando na escravização de milhares de soldados atenienses e aliados.

Depois de outros fracassos militares em 405 aC, Atenas acabou derrotada por Esparta (404 aC). A democracia ateniense foi derrubada e os espartanos restauraram a oligarquia (de curta duração). Com sua vitória, Esparta transformou-se na polis hegemônica da Grécia.

2.5 Outras guerras de hegemonia

395-371 aC.  Guerra contra a hegemonia espartana. Tebas, liderando a Liga da Beócia, derrota Esparta e estabelece a hegemonia tebana.

371-362 aC.  Guerra contra a hegemonia tebana.  Atenas e Esparta formam uma aliança e derrotam Tebas.

As constantes guerras enfraqueceram as póleis, levando a Grécia a ser conquistada pela Macedônia (rei Felipe II), em 338 aC. As cidades-Estados gregas foram forçadas a fazer uma aliança militar com a Macedônia, a Liga de Corinto, estabelecendo a hegemonia macedônica.

Grécia: A Época Helenística  (336-146 aC)

Na Época Helenística os gregos e macedônios conquistaram o Império Persa e levaram a cultura helênica para o Oriente, criando uma civilização que combinou valores, crenças e religiões das duas culturas. Nesse período o sistema clássico das póleis entrou em decadência, culminando com a conquista da Macedônia e da Grécia pelos romanos no século II aC..

1. A formação do império greco-macedônico no Oriente 

 Em 337-336 aC, Felipe II, apoiado pela Liga de Corinto e em nome da união dos gregos, decidiu conquistar o Império Persa e preparou uma expedição greco-macedônica para invadir a Ásia Menor. Entretanto, ele foi assassinado em 336 aC. Seu filho Alexandre III, mais conhecido como Alexandre Magno ou Alexandre, o Grande, o sucedeu no trono e levou adiante o projeto imperialista do pai – mas precisou, antes disso, enfrentar a resistência de várias póleis contrárias à liderança da Macedônia. Os principais momentos do reinado de Alexandre e de sua política expansionista foram:

335 aC. Revolta dos gregos contra a Macedônia. A rebelião das póleis foi liderada por Atenas e Tebas. Alexandre sufocou a revolta, destruiu Tebas (poupou Atenas) e consolidou sua autoridade na Grécia.

334-326 aC. Conquista do Império Persa. O exército greco-macedônico, sob o comando de Alexandre, conquista o Império Persa. Alexandre tenta avançar sobre a Índia, mas foi obrigado a recuar por causa do motim do seu exército

326-323 aC. Governo de Alexandre no Oriente. Alexandre respeitou e manteve os costumes orientais, conseguindo uma aliança com as antigas elites do Império Persa, e fundou várias cidades gregas no Oriente. Isso favoreceu a fusão da cultura grega com a cultura oriental, gerando o helenismo ou cultura helenística. Em 323 aC,  Alexandre morreu e seu império foi dividido entre os generais macedônios e gregos.

2. Os reinos helenísticos e a expansão romana no Mediterrâneo Oriental


 O império de Alexandre foi substituído por vários reinos helenísticos, que continuaram o processo de fusão da cultura grega com a cultura oriental. Contudo, freqüentemente eles entraram em guerra uns com os outros, enfraquecendo-os no momento em que Roma estava se expandindo pelo Mediterrâneo Oriental. Em 148 aC, os romanos conquistaram a Macedônia e, em 146 aC, tomaram a Grécia. A partir desses fatos, a história da Grécia passou a ser parte da história do império romano.



domingo, 8 de maio de 2011

23 - Grécia Época Arcaica

A Época Arcaica (750-500 aC)


O período da história antiga da Grécia que vai do século VIII ao VI aC foi chamado de “arcaico” em função do estilo da arte, sobretudo da escultura, criada naquela época. No entanto, a característica mais notável desse período foi a formação do sistema clássico, resultado da urbanização, do nascimento da polis e do conceito de cidadão (polites), em um contexto marcado pelo desenvolvimento da economia mercantil, pelo crescimento da escravidão, pelos primórdios da filosofia e pela colonização grega do Mar Mediterrâneo, que resultou na expansão da cultura helênica por um amplo território.

1. O nascimento do sistema clássico

1.1 Desenvolvimento urbano e comercial

Muitas das transformações da Época Arcaica foram desdobramentos de um processo iniciado no final da Idade Homérica. Nos séculos IX-VIII aC, a população voltou a crescer mais acentuadamente na Grécia. As cidades, o comércio e o artesanato mercantil (como a cerâmica) floresceram em grande medida estimulados pela retomada dos contatos com o Oriente, que influenciou vários aspectos da cultura artística grega (a “revolução orientalizante” dos séculos VIII-VII aC). Duas criações orientais de importância fundamental foram adotadas e aperfeiçoadas pelos gregos nos século VIII-VII aC: o alfabeto (originário da Fenícia) e a moeda (originária da Lídia, na Ásia Menor).
1.2 Mudanças na sociedade e crise agrária

O nascimento do sistema clássico a partir das mudanças dos séculos IX-VIII aC se deu em um quadro marcado pelo crescimento demográfico, pela escassez ou má distribuição de terras férteis e pelo desenvolvimento da agricultura mercantil, que demandava produzir gêneros agrícolas para o comércio utilizando-se de mão-de-obra barata. Muitas famílias camponesas não conseguiam se sustentar em lotes por demais pequenos e foram obrigadas a hipotecar suas terras ou mesmo a sua pessoa em troca de empréstimos (geralmente em cereais) feitos pelos proprietários mais ricos. Quando não conseguiam pagá-los, perdiam suas terras (em alguns casos permanecendo nelas como arrendatário) ou se transformavam em escravos por dívidas. Os tetes (trabalhadores livres sem posses) também se tornaram mais numerosos. O processo beneficiou principalmente a aristocracia, mas resultou em uma crise agrária, caracterizada pela concentração fundiária, o empobrecimento de parte dos camponeses e a expansão do trabalho compulsório. As genoi aristocráticas consolidaram seu poder econômico e político, mas não foram a única camada social beneficiada pelas transformações do período. Os comerciantes e os artesãos urbanos cresceram em quantidade e importância por causa do desenvolvimento mercantil e das cidades. Contudo, a população continuou sendo predominantemente camponesa.

2. A religião

A religião politeísta grega arcaica estruturou-se ao redor de uma série de mitos, muitos baseados em tradições da Idade do Bronze ou importadas do Oriente. Além dos cultos tradicionais, desenvolveram-se outras formas de religiosidade, como os Mistérios de Elêusis e o orfismo, com temas associados ao ciclo da vida e morte e a transmigração da alma. As divindades gregas eram antropomórficas e possuíam as paixões e os sentimentos humanos. Os gregos acreditavam que os deuses e deusas mais importantes do seu panteão residiam no Monte Olimpo, a montanha mais alta da Grécia, localizada na região da Tessália. As principais divindades olímpicas eram Zeus (rei dos deuses), Hera (rainha dos deuses e divindade do casamento e da maternidade), Poseidon (deus dos mares), Demeter (deusa da fertilidade e da agricultura), Héstia (deusa do lar), Afrodite (deusa da beleza e do amor), Apolo (deus Sol, da luz e das artes), Atena (deusa guerreira da sabedoria), Ares (deus da guerra), Artemis (deusa da natureza e da caça), Hefesto (deus do fogo e da metalurgia), Hermes (mensageiro dos deuses e divindade do comércio), Dionísio (deus do vinho e das festas) e Héracles (um herói originalmente humano que, depois de sua morte, foi transformado em deus da força e da coragem).

As cidades eram os centros das principais manifestações religiosas (templos, festivais), que contribuíram para desenvolver os laços comunitários e cívicos que fundamentavam a polis. Mas os gregos também desenvolveram festas pan-helênicas na forma de concursos atléticos e artísticos que reuniam competidores de várias póleis homenageando os deuses, sobretudo Zeus e Apolo. O mais famoso desses jogos sagrados foi a Olimpíada, iniciada em 776 aC em Olímpia, santuário localizado no sul da Grécia. Outra competição importante foram os Jogos Píticos realizados em Delfos, na Grécia central, local de culto do deus Apolo e onde estava o seu célebre oráculo, interpretado pela sacerdotisa pítia ou pitonisa.

A partir de 650 aC, a cultura grega arcaica começou a desenvolver o pensamento racional e a filosofia, embora não tenha abandonado suas mentalidades e práticas religiosas. (ver Etapa 1 – Filosofia).

3. A Segunda Diáspora Grega (séculos VIII-VI aC)

A Segunda Diáspora foi a “dispersão” ou colonização grega do Mar Mediterrâneo e do Mar Negro, causada pelo crescimento demográfico, pela busca de terras e pela expansão comercial. A diáspora da Época Arcaica resultou na fundação de várias colônias gregas (apoikias) que surgiram como novas póleis, quer dizer, como comunidades independentes politicamente das metrópoles, ainda que mantivessem com elas fortes laços culturais. Dessas novas póleis, as mais importantes foram criadas na Magna Grécia (sul da Itália e na ilha da Sicília). A colonização grega do Mar Mediterrâneo e do Mar Negro difundiu a cultura helênica por vários países e criou uma Grécia – um mundo grego, quer dizer, falante da língua grega e com a cultura dos helenos – muito maior do que a Grécia atual.

4. A formação da polis

A polis e o ideal de cidadania foram as criações políticas mais originais dos gregos, resultado de uma combinação de fatores, como o crescimento populacional, a urbanização, o desenvolvimento do racionalismo e as guerras entre as cidades, que exigia do indivíduo maior participação nos assuntos de interesse coletivo da comunidade. Várias póleis surgiram no mundo grego (a Grécia e as regiões de colonização grega) em 750-650 aC, criadas pela aristocracia que, cada vez mais rica e poderosa, substituiu a antiga basiléia homérica por uma república controlada pelas famílias mais tradicionais, influentes e ricas da comunidade. Em alguns casos, como em Atenas, a formação da polis envolveu o processo de sinecismo – a união de diversas comunidades menores originando uma comunidade maior, em razão da criação de um centro religioso comum ou por motivos defensivos. Muitos valores aristocráticos homéricos de origem guerreira, principalmente a areté (honra, valentia, busca da excelência), continuaram presentes na polis, incorporados numa ideologia coletiva cívica, isto é, do conjunto dos cidadãos. O dever mais importante do cidadão era o de lutar pela comunidade, armando-se por conta própria, dando renome à sua polis e à sua família pela sua virtude e coragem no campo de batalha – um compromisso individual com a segurança e a sobrevivência de toda a comunidade.

5. As oligarquias

Durante a maior parte da Época Arcaica as póleis foram repúblicas oligárquicas, com governos constituídos por uma minoria de cidadãos de famílias nobres, que excluíram do poder o demos ou povo (as camadas não-aristocráticas). O demos era obrigado a lutar pela comunidade e adquiriu alguns direitos (votar, propriedade de terras), com seus membros (camponeses, comerciantes e artesãos) tornando-se cidadãos de segunda ordem (podiam votar mas não podiam ser eleitos). Com o poder monopolizado pelas famílias tradicionais, as póleis aristocráticas favoreceram a concentração de terras nas mãos das elites, a formação de um campesinato pobre e dependente e o crescimento da escravidão por dívidas.

6. A revolução hoplítica

As disputas por terras e as rivalidades comerciais intensificaram as guerras entre as póleis oligárquicas nos séculos VIII-VII aC. O demos foi mobilizado e exércitos populares, sob a forma de milícias de cidadãos-soldados, foram criados para lutar em prol de toda a comunidade. Possivelmente foi nesse contexto que o demos adquiriu direitos mínimos e assembléias populares foram definitivamente instituídas para votar questões de guerra e de paz. De qualquer forma, parece que foi no século VII aC que se deu a afirmação dos hoplitas, a infantaria pesadamente armada de cidadãos-soldados auto-equipados com capacete, escudo (hoplon), couraça e lança. Em sua maioria, os hoplitas eram não-aristocratas da classe média de camponeses pequenos proprietários. A antiga forma de lutar, o duelo da aristéia homérica, cedeu lugar às batalhas das falanges hoplíticas, com o sucesso dependendo da disciplina e da coragem coletiva dos soldados (que absorveram os valores guerreiros aristocráticos). A aristocracia, que anteriormente quase monopolizava o poder militar (principalmente com a cavalaria), ficou dependendo do demos para defender a polis ou conquistar novos territórios. Com efeito, a infantaria hoplita se transformou na base do exército da polis do século VII ao IV aC.

7. A crise das oligarquias (séc. VII-VI aC)

As póleis oligárquicas entraram em crise nos séc. VII-VI aC em função do confronto entre a aristocracia e o demos, ameaçando causar uma revolução social ou uma guerra civil – confronto que os gregos chamaram de stasis. Essa luta interna tem suas origens na insatisfação do demos com o monopólio aristocrático do poder e com o aumento da desigualdade social por causa do crescimento da concentração de terras e da escravidão por dívidas. O demos, cada vez mais consciente de sua importância militar para a polis no fornecimento de hoplitas, pressionou as oligarquias exigindo mais direitos políticos ou isonomia (direitos iguais), reforma agrária e o fim da escravidão por dívidas. A crise levou a ascensão de lideranças aristocráticas mais próximas do demos – os legisladores eleitos ou tiranos golpistas – que, com respaldo popular, fizeram uma série de reformas para evitar a guerra civil na polis.

8. O caso de Atenas


Localizada na Ática e habitada pelos jônios, Atenas foi um dos centros da civilização micênica da Idade de Bronze. Aparentemente ela escapou das destruições do século XII aC e parece ter adquirido certa importância nos séculos X-IX aC da Época Homérica, quando ocorreu um sinecismo na Ática: as aldeias e pequenas cidades locais, até então independentes, uniram-se em um Estado maior com capital em Atenas. O território desse reino homérico ateniense ou ático foi a base para a formação da polis no século VII aC, quando a monarquia perdeu importância e foi substituída por uma república oligárquica. No século VI aC, com a stasis, depois de um período de tirania, instalou-se a democracia.

8.1 A sociedade

Os habitantes de Atenas estavam divididos em atenienses (os cidadãos), metecos (estrangeiros livres) e doulos (escravos). Os atenienses, por sua vez, estavam inicialmente divididos em duas categorias: eupátridas (aristocracia de nascimento) com mais privilégios políticos, e o demos (camponeses, artesãos, comerciantes e tetes) com menos direitos.

8.2 A fase da oligarquia (650-560 aC)

Inicialmente, Atenas era uma polis oligárquica, com o poder político monopolizado pelos eupátridas. No entanto, a stasis e a revolução hoplítica obrigaram a aristocracia, dividida em facções rivais que disputavam o poder e buscavam apoio do demos, a aceitar reformas, feitas por legisladores eleitos (Drácon, Sólon). As reformas continuaram na fase seguinte pelo tirano Pisístrato e culminaram na instalação da democracia por Clístenes. Veja na Tabela 1 o nome das instituições políticas de Atenas.

O governo de Drácon (621-620 aC). Primeiras leis escritas; justiça pública e penalidades severas.

O governo de Sólon (594-593 aC). Abolição da escravidão por dívidas; cancelamento das hipotecas das terras; criação de um novo Conselho (a Bulé, que passou a coexistir com o antigo Conselho, o Areópago)) e de um tribunal popular (a Helieia); estabelecimento de uma nova cidadania com a divisão censitária dos cidadãos em 4 grupos de acordo com a renda (apenas os ricos teriam acesso aos principais cargos públicos, caracterizando um “poder dos ricos” ou timocracia). Os eupátridas continuaram no poder, mas seu monopólio foi rompido com a ascensão de cidadãos ricos não-eupátridas, principalmente dos comerciantes.

8.3 A fase da tirania (560-510 aC)

A tirania foi um governo inconstitucional de um aristocrata que tomou o poder pela força, enfrentando rivais da própria aristocracia, e se perpetuou nele com apoio popular, obtido em troca de reformas que agradavam o demos.

O governo de Pisístrato (561-527 aC). Manteve a constituição soloniana, mas fez uma série de reformas. Entre elas, talvez, uma reforma agrária limitada, dividindo entre os pobres as terras dos aristocratas rivais; concedeu empréstimos aos camponeses; organizou obras públicas empregando tetas; incentivou o comércio; instituiu festivais religiosos cívicos da Panatenéia (da deusa Atena) e das Dionísicas (do deus Dionísio), com concursos de atletismo e de apresentações teatrais.

Os governos de Hípias e Hiparco (527-514 aC). Filhos de Pisístrato (os “Pisistratidas”), continuaram estimulando as artes, mas Hiparco foi morto por aristocratas considerados “tiranicidas” e libertadores de Atenas.

O governo de Hípias (514-510 aC). Com ele, a tirania tornou-se opressora e impopular. Hípias fez uma aliança com Argos, polis rival de Esparta. Com isso, os eupátridas, parte do demos e os espartanos se aliaram para derrubá-lo.

8.4 A revolução democrática (510-509 aC)

Em um quadro de acentuada stasis e de divisão dos atenienses, a tirania foi derrubada por um levante popular liderado pela aristocracia. Hípias fugiu. Os eupátridas tentaram restaurar a oligarquia, mas fracassaram. Clístenes, líder aristocrático ligado ao demos, assumiu o poder e fez uma série de reformas (509-506 aC) que instalaram a democracia em Atenas. As bases institucionais da democracia instalada por Clístenes e aperfeiçoadas nas décadas seguintes foram:

a) A isonomia

Estabelecimento da isonomia (“a mesma lei para todos”) entre todos os cidadãos, que foram divididos em 10 tribos (filias) de demos (no sentido de “bairros” ou “distritos” de Atenas). Algumas restrições censitárias continuaram existindo para a magistratura (arcontado), mas foram abolidas em meados do século V aC.

b) Instituições

Fortalecimento da Eclésia, a assembléia popular, que se transformou no principal órgão do regime democrático

Reorganização da Bulé, transformada num Conselho Legislativo com 500 membros sorteados na Eclésia.

Eleição de 10 estrategos ou comandantes militares, com mandato de um ano, podendo ser eleitos indefinidamente. Responsáveis pelos impostos recolhidos em época de guerra e dos metecos, podiam convocar a Eclésia em situações extraordinárias. Na prática, os estrategos transformaram-se nos magistrados mais importantes e nos principais lideres populares.

c) O ostracismo

Estabelecimento do ostracismo: o exílio por 10 anos, estabelecido em votação na Eclésia, de um cidadão considerado inimigo do regime democrático, com perda dos direitos políticos, mas não do patrimônio.

8.5 Limites e significado da antiga democracia ateniense

A democracia antiga não alterou em nada o status político das mulheres, metecos e escravos, que continuaram sem direitos de cidadania. Mas o novo regime abriu as portas para uma maior participação dos camponeses, artesãos e tetes no governo, sobretudo através das discussões e votações na Eclésia, em um sistema de democracia direta, quer dizer, com a participação direta dos cidadãos nas decisões políticas finais, sem intermediários.

A crítica aristocrática à democracia. Os eupátridas nunca aceitaram plenamente a democracia. Sua ideologia aristocrática desprezava o trabalho manual (para eles uma tarefa de escravos) e os homens livres que precisavam praticá-lo, como os artesãos e camponeses. Na visão dos eupátridas, os camponeses e artesãos, em função do seu trabalho, não tinham tempo suficiente para se dedicarem à política e, por isso, não entendiam do assunto, tornando-se “maus cidadãos”, com uma condição social mais próxima dos escravos do que dos “verdadeiros cidadãos” (a aristocracia). O “bom cidadão” era o cidadão ocioso, isto é, o cidadão que não precisava trabalhar, porque os escravos trabalhavam para eles. Ou seja, apenas os eupátridas, ricos proprietários de escravos e livres da necessidade do trabalho manual é que deveriam governar em benefício de toda a comunidade. Para ele, a democracia deturpou essa realidade política, concedendo direitos iguais para aristocratas e o demos – para cidadãos preparados (a minoria) e cidadãos despreparados (a maioria).

quarta-feira, 30 de março de 2011

22 - Crise da Líbia: entrevista com Moniz Bandeira

Segue uma interessante entrevista com o historiador e cientista político Luiz Alberto Moniz Bandeira sobre a Crise da Líbia. O artigo foi publicado originalmente na Carta Maior (ver final do texto)

EUA e aliados querem legitimar doutrina da intervenção humanitária

As razões pelas quais Estados Unidos, França e Inglaterra dediciram liderar uma ação militar na Líbia contra o regime de Muammar Kadafi ainda não estão muito claras. Os limites desta ação determinados pela resolução aprovada no Conselho de Segurança das Nações Unidas falavam da instalação de uma "zona de exclusão aérea" com o objetivo de proteger a população civil dos ataques dos aviões de Kadafi. Mas esses limites já foram extrapolados, com ataques no solo a tanques e tropas leais ao governo líbio. O que, afinal, está por trás desta ação?

Em entrevista à Carta Maior, concedida por correio eletrônico, o historiador e cientista político Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira analisa as revoltas populares que estão acontecendo no Oriente Médio e no norte da África. Sobre o conflito líbio, Moniz Bandeira reconhece que as razões da posição de EUA, França e Inglaterra não estão muito claras e podem estar relacionadas a questões internas destes países e também à vontade de legitimar a doutrina da intervenção humanitária.

"Os objetivos não estão claros. A guerra foi praticamente iniciada pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy. Supõe-se que ele deseja evitar que uma guerra civil na Líbia provoque um grande fluxo de refugiados para o sul da França. Mas há outras hipóteses. Tanto na França como nos Estados Unidos, cujos presidentes estão muito desgastados, bem como na Inglaterra, motivos eleitorais provavelmente influíram na decisão de deflagrar a guerra. O petróleo, aparentemente, não foi um fator decisivo", avalia.

Cientista político e professor titular de história da política exterior do Brasil na UnB (aposentado), Moniz Bandeira é autor de mais de 20 obras, entre as quais "Formação do Império Americano", que lhe valeu a escolha de Intelectual do Ano 2005, pela União Brasileira de Escritores, e o Troféu Juca Pato. Em abril deve estar nas livrarias a 3ª edição de seu livro "Brasil-Estados Unidos: a rivalidade emergente", prefaciado pelo embaixador Samuel Pinheiro Guimarães.

Carta Maior: Na sua avaliação, quais são as principais causas das revoltas que estamos assistindo hoje no Oriente Médio e norte da África?

Moniz Bandeira: É difícil apontar os principais fatores que determinaram e determinam a eclosão das revoltas nos países árabes. São diversos e complexos. E tudo indica que são autóctones, não obstante o fenômeno do contágio. O sucesso do levante na Tunisia estimulou o alçamento no Egito e daí se alastrou, conforme as condições domésticas de cada um dos países da região. Há, decerto, diferenças históricas, sociais e políticas entre os dois países. Suas estruturas de Estados e instituições são diferentes. Ao contrário da Tunísia, o Egito é o mais populoso país árabe e o mais importante, do ângulo geopolítico e geoestratégico, no Oriente Médio. Entretanto, nos dois países, há uma juventude, com certo nível de educação e saúde que não encontra emprego ou ocupação adequada à sua capacitação. 

A Tunísia tem uma população de cerca de 10,4 milhões de habitantes, altamente alfabetizada e urbanizada e apenas 3,8% vivem abaixo do nível de pobreza. Porém, com uma força de trabalho de quase 4 milhões de pessoas, o nível de desemprego, da ordem de 14%, é muito elevado. O Egito, por sua vez, tem uma população de 76,5 milhões de habitantes, dos quais cerca de 20% a 25% vivem abaixo do nível de pobreza. Sua força de trabalho soma 26,1 milhões, mas o índice de desemprego, da ordem de 9.7%, é bastante elevado. Apesar de haver crescido 5% nos últimos anos, sua economia não conseguiu criar empregos conforme as necessidades da população. A juventude está seriamente afetada pelo desemprego. Cerca de 90% dos desempregados são jovens com menos de 30 anos. Os graduados têm de esperar pelo menos cinco anos por uma oportunidade de trabalho na administração. E as políticas neoliberais executadas pelo ditador Hosni Mubarak agravaram as desigualdades e um empobrecimento de milhões de famílias. 

As oportunidades de trabalho, desde há muitas décadas, crescem muito menos do que a taxa de crescimento da população. Entrementes, no campo, há algumas regiões com excesso de força de trabalho, e outras com carência. E os regimes tanto na Tunísia e quanto no Egito estavam politicamente estagnados, sob ditaduras corruptas e brutais de Zine el-Abidine Ben Ali e de Hosni Mubarak. Esse fato, em meio à ao desemprego, extrema pobreza, inflação, alta dos preços dos alimentos e o ressentimento político provocado pela sistemática repressão, foi aparentemente fundamental na deflagração das revoltas, que, sem dúvidas, seitas islâmicas fundamentalistas, como a Irmandade Muçulmana no Egito, e interesses estrangeiros trataram e tratam de aproveitar.

Carta Maior: Essas revoltas pegaram os Estados Unidos e seus aliados de surpresa, desestabilizando suas políticas na região, ou a turbulência atual não representa risco maior para eles?

Moniz Bandeira: Muito provavelmente as revoltas na Tunísia e também no Egito surpreenderam os Estados Unidos e a todos os países do Ocidente. Durante algumas semanas o governo de Washington nada disse sobre a sublevação na Tunísia. E, quando Hilary Clinton, viajou para Tunis, dois meses após a derrubada do ditador, ocorreram demonstrações contra a sua visita. Se houvesse consciência do que estava a acontecer, a secretária de Estado não haveria declarado, quando o levante começou no Cairo, "Our assessment is that the Egyptian government is stable and is looking for ways to respond to the legitimate needs and interests of the Egyptian people." Esta avaliação de que o regime de Mubarack era estável demonstra o grau de desconhecimento que o governo dos Estados Unidos tinha da real situação no Egito. Que havia descontentamento, sabia-se, mas não a sua extensão nem o que poderia provocar. 

É claro que tal turbulência representa um risco para os Estados Unidos e para a União Européia, pois não se pode descartar a possibilidade de que a Irmandade Muçulmana, a única força organizada no Egito, vença as eleições e assuma o governo e que os fundamentalistas islâmicos venham a predominar, de alguma forma, nos outros países árabes. 

Carta Maior: Como o sr. vê o que está acontecendo na Líbia agora? Trata-se de uma revolta popular em busca de mais democracia no país, ou de uma insurreição de outra natureza?

Moniz Bandeira: O que se sabe sobre a Líbia é que ninguém sabe de fato o que lá está acontecendo. Há muita contra-informação e informações fragmentadas e confusas, manipuladas pela grande mídia internacional. Winston Churchill, o ex-primeiro ministro britânico, escreveu em suas memórias quem tempos de guerra a verdade é tão preciosa que deve estar sempre escoltada por uma frota de mentiras. E o certo é que em nenhum desses países árabes, há uma consciência democrática, tal como se imagina no Ocidente. Há apenas uma idéia difusa e confusa. Não há tradição e as condições históricas, políticas e culturais são diversas das que terminaram o desenvolvimento da democracia no Ocidente. 

A democracia para os povos árabes, que se insurgem no norte da África e no Oriente Médio, significa maiores oportunidades de trabalho, de participação política, liberdade de expressão e melhoria econômica e social. E, na Líbia, como na Tunísia e no Egito, a elevação preço dos alimentos fomentou o descontentamento, ao agravar as condições sociais e políticas lá existentes. E ela sofreu o efeito do contágio. A Líbia tem 6,5 milhões de habitantes, dos quais 43% são urbanizados, mas o desemprego é da ordem de 30% e um terço da população vive abaixo da linha de pobreza. Importa 75% dos alimentos e as exportações de petróleo respondem por cerca de 95% de sua receita comercial e 80% da receita do governo. 

A situação da Líbia, porém, é ainda mais complexa do que na Tunísia e no Egito. Gaddafi assumiu o poder em 1969. Com um golpe militar derrubou o rei Idris, da seita Senussi, fundada no século XIX, em Meca, por sayyd Muhhammad ibn Ali as-Senussi, da tribo Walad Sidi Abdalla e sharif, i. e., descendente da Fatmimah, filha de Maomé. Desde então, Gaddafi buscou impor à Líbia um só partido. Mas a Líbia, diferentemente da Tunísia e do Egito, é uma nação que ainda não se consolidou. É o mais tribal entre os países árabes. Pode-se dizer que é um Estado semi-tribal. Sua estrutura rural é praticamente assentadas em tribos nômades e semi-nômades, muito segmentadas Lá existem mais de 140 tribos e clãs. Gaddafi , no início, tentou reduzir a influências da tribos, mas posteriormente teve de fazer alianças e manipular a fidelidade das tribos para manter sua ditadura.

A tribo de Gaddafi, Ghadafa (Qadhadhfah) é de origem bérbere-árabe e aliou-se à confederação Sa'adi, liderada por Bara'as (a tribo da esposa de Gaddafi, Farkash al-Haddad al-Bara'as). Os conflitos entre as forças do governo de Gaddafi e outras tribos – as tribos Zawiya e Toubou - começaram entre 2006 e 2008, no oasis de Kufra, localizado no sudeste da Libia, 950 quilômetros ao sul de Benghasi, perto da fronteira com o Egito, Sudão Chad. Benghasi, onde a rebelião começou, está na Cirenaica, antiga província romana (Pentapolis) e tradicionalmente separatista, na parte oriental da Líbia. Misurata é a única cidade na Tripolitânia, oeste da Líbia, que habita a tribo Warfallah, o maior grupo tribal, dividido em 52 sub-tribos, com cerca de um milhão pessoas. Essa tribo foi levada para a Líbia, no século XI, pelos Fatimidas, por motivos políticos. A ela está aliada a tribo Az-Zintan, que habita as montanhas ocidentais, entre as cidades bérberes, Jado, Yefren e Kabaw. E essas tribos romperam com o governo de Gaddafi, insurgiram-se e sustentam a rebelião. Não há indício de que houve estímulo direto do estrangeiro quando ela começou. Porém, em seguida, seguramente, houve participação externa, contrabandeando armamentos para os rebeldes em Benghazi. O contrabando continua. Mas a rebelião conta com o apoio do Grupo de Combate Islâmico, cujos membros estão estreitamente ligados a Bin Laden e podem tentar a tomada do governo, com a queda de Gaddafi. Tudo indica que a oposição à ditadura de Gaddafi está mais alinhada com a al’Qaida. Sob o comando de Abu Yahya Al- Libi, os jhadistas do Grupo Islâmico de Combate (Al-Jama'ah al-Islamiyah al-Muqatilah bi-Libia) já tinham se levantado contra o regime em 1990 e o centro da rebelião, atualmente, são as cidades de Benghazi e Darnah, onde eles se haviam concentrado e ocorrerem os levantes em 1990. 

Muitos islamistas radicais, exilado por Gaddafi, estão a voltar, entrando pelas fronteiras de Mali, Egito e outras. Os rebeldes, saudados pelos americanos como freedom fighters, não são, certamente, democratas. Um estudo da Academia Militar dos Estados Unidos, em 2007, indicou que do leste da Líbia saiu uma grande contribuição para a al-Qaeda no Iraque. Em tais circunstâncias, tudo pode acontecer na Líbia, com a prevalência e a desordem política, pior do que no Iraque e no Afeganistão. 

Os Estados Unidos, França e Inglaterra não têm como controlar a situação. A razão pela qual esses países estão apoiar os rebeldes islamistas não está muito clara. O mais provável é que queiram legitimar a doutrina da intervenção humanitária, tal como ocorreu no Kosovo e Sierra Leoa. Há uma contradição inexplicável de interesses em jogo. E não sem razão o ex-presidente Bill Clinton, ao visitar o Brasil, em 25 de março, declarou, a respeito do que os Estados Unidos, França e Inglaterra estão a fazer na Líbia.: "Vai ser mais difícil construir estabilidade nesses países do que foi para derrubar a velha ordem. Então agora acho que estão atirando em uma incerteza". 

Carta Maior: E quanto à resolução aprovada pela ONU, qual sua opinião?

Moniz Bandeira: A resolução aprovada Conselho de Segurança viola a própria carta das Nações Unidas. O art. 2, do Cap. I, estabelece que “nenhuma disposição da presente Carta autorizará as Nações Unidas a intervir em assuntos que dependam essencialmente da jurisdição interna de qualquer Estado, ou obrigará os membros a submeterem tais assuntos a uma solução, nos termos da presente Carta; este princípio, porém, não prejudicará a aplicação das medidas coercitivas constantes do capítulo VII”. E o art. 42 do Capítulo VII dispõe que, se o Conselho de Segurança, considerar que “as medidas previstas no artigo 41 seriam ou demonstraram ser inadequadas (interrupção completa ou parcial das relações econômicas, dos meios de comunicação ferroviários, marítimos, aéreos, postais, telegráficos, radio-elétricos, ou de outra qualquer espécie, e o rompimento das relações diplomáticas), poderá levar a efeito, por meio de forças aéreas, navais ou terrestres, a ação que julgar necessária para manter ou restabelecer a paz e a segurança internacionais. Tal ação poderá compreender demonstrações, bloqueios e outras operações, por parte das forças aéreas, navais ou terrestres dos membros das Nações Unidas”. 

Está bem claro que as operações militares aéreas, navais ou terrestres dos membros das Nações Unidas só poderão ocorrer caso sejam necessárias “para manter ou restabelecer a paz e a segurança internacionais”. O que ocorria na Líbia era uma questão interna, não ameaçava a paz e a segurança internacionais. O ataque a um país soberano é uma guerra. Não há nenhuma força multilateral. E os Estados Unidos, França e Inglaterra foram além de estabelecer uma no-fly zone para proteger civis. Como proteger civis, matando civis com mísseis lançados contra as cidades da Líbia? É o que continua a acontecer no Iraque, Afeganistão e Paquistão. Os civis são os mais sacrificados. 

No Afeganistão, somente em 2009, foram mortos por bombardeios cerca de 2.412 , 14% mais do que em 2008. Entre 2005 e 2008, as forças dos Estados Unidos e outras da OTAN mataram entre 2.699 e 3.273. No Iraque, calcula-se que, de 2003, quando a guerra começou, até 2007 mais de um milhão de civis foram mortos. E calcula-se que cerca de 700 civis foram pelos bombardeios americanos desde 2006. Segundo o Conflict Monitoring Center (CMC), em Islamabad, somente em 2011 mais de 2.000 pessoas foram mortas, a maioria das quais inocentes civis.

Na realidade, na Líbia, Estados Unidos, França a Inglaterra estão a participar da guerra civil, apoiando os rebeldes, como a Alemanha nazista fez durante a guerra civil na Espanha (1936-1939), quando bombardearam não apenas Guernica, mas diversas outras cidades, estreando seus bombardeiros Junkers Ju 52 e Heinkel He 111, bem como os caças Messerschmitt e Junkers Ju 87, que destruíram 386 aviões dos republicanos. Os navios de guerra dos Estados Unidos e da Inglaterra já lançaram contra a Libia, para a destruir as defesas de Gaddafi, cerca de 124 mísseis de cruzeiro. Cada um custa US1 milhão e o novo modelo US$ 2 milhões. No primeiro dia da Operation Odyssey Dawn os gastos dos Estados Unidos apenas com mísseis chegaram a US$100 milhões.

Carta Maior: Neste cenário, não é fácil precisar quais os objetivos dos Estados Unidos, França e Inglaterra no ataque às forças de Gaddafi, ajudando os rebeldes...

Moniz Bandeira – Os objetivos não estão claros. A guerra foi praticamente iniciada pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy. Supõe-se que ele deseja evitar que uma guerra civil na Líbia provoque um grande fluxo de refugiados para o sul da França. Mas há outras hipóteses. Tanto na França como nos Estados Unidos, cujos presidentes estão muito desgastados, bem como na Inglaterra, motivos eleitorais provavelmente influíram na decisão de deflagrar a guerra. O petróleo, aparentemente, não foi um fator decisivo. A França somente importa 5,63% do petróleo da Líbia, mas, possivelmente, deseja assegurar para seu abastecimento, durante o século XXI, as vastas reservas lá existentes, estimadas em 41 bilhões de barris, conquanto representem menos de 2% das reservas mundiais. Os países que mais importam o óleo da Líbia são Itália, entre 18,9% e 22%; China, 10,4%; Alemanha, entre 7,8 e 9,7. Porém, as operações na Líbia, de onde só importa 0,6% de petróleo, poderão custar para os Estados Unidos um montante entre US$ 400 milhões e US$ 800 milhões, de acordo com oCenter for Strategic and Budgetary Assessments, enquanto os gastos no Afeganistão já ultrapassam US$377 bilhões. 

Calcula-se que a guerra contra a Líbia custará para os Estados Unidos US$ 1 bilhão por semana. E o Pentágono necessita este ano de mais US$ 708 bilhões, incluindo U$ 159 para as guerra no Iraque e Afeganistão. Entrementes, em março, o déficit orçamentário atingiu o montante recorde de US$ 222,5 bilhões.

E o Departamento do calcula que através dos cinco meses do ano fiscal de 2011 o déficit cumulativo seja de U$ 641, bilhões. Entretanto, pelo menos 50.000 americanos carecem de recursos básicos de saúde, e cerca de 50.000 morrem em conseqüência, todos os anos. 

No Reino Unido, ao mesmo tempo em que corta das despesas públicas £95 bilhões, a pretexto de reduzir, e cria um milhão de desempregados, o governo conservador de David Cameron gasta em torno de £3 milhões por dia, com as operações aéreas contra as forças de Gaddafi. A missão de uma aeronave custa por hora £35.000 e £50.000. O total diário é £200.000 por avião. Estima-se que o custo para os contribuintes inglêses alcançará £100 milhões dentro de seis semanas. Os mísseis Tomahawk, comprados dos Estados Unidos, custam £500,000 cada e os mísseis Storm Shadow custam £800,000 cada. A manutenção do submarino HMS Triumph, que dispara os mísseis contra a Líbia, custa cerca de £200,000 por dia. E aí os custos disparam. 

Carta Maior: O presidente dos EUA, Barack Obama autorizou o início dos bombardeios contra a Líbia durante sua visita ao Brasil. Qual sua avaliação sobre essa visita e, de um modo mais geral, sobre a política externa do governo Obama. Houve alguma mudança significativa em relação aquela praticada pelo governo Bush?

Moniz Bandeira: O que está por trás de do presidente Barack Obama é o mesmo Complexo Industrial-Militar que sustentou o presidente George W. Bush. Ele deu continuidade às guerras no Afeganistão e no Iraque, onde ainda mantém cerca de 40 soldados, além dos mercenários (contractors)das private military company (PMC), como a Halliburton, Blackwater e outras. E não contente em continuar as guerras no Afeganistão e no Iraque, deu início a uma terceira, na Líbia. E aí tudo indica que a decisão inicial, após conversar com o presidente Sarkozy, foi tomada pela secretária de Estado, Hilary Clinton, e Obama simplesmente autorizou. Na realidade, ela se sobrepõe ao presidente Obama e é quem está efetivamente conduzindo a política internacional dos Estados Unidos, de modo a atender aos setores mais conservadores do Partido Democrata e aumentar sua popularidade, para candidatar-se outra vez à presidência dos Estados Unidos. 

Quanto à visita do presidente Obama ao, não representou qualquer mudança na política externa dos Estados Unidos nem nas relações com o Brasil. Foi uma visita protocolar, ele nada pôde nem tinha o que oferecer ao Brasil, cuja diretriz de política externa a presidente Dilma Roussef essencialmente mantém. O voto em favor de um delegado da ONU para verificar a questão dos direitos humanos na Irã é um fato isolado e não representa uma alteração fundamental na posição do Brasil.

 

Por Marco Aurélio Weissheimer 

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17611


sábado, 26 de março de 2011

21 - Povoamento da América

Segue uma notícia que saiu na Veja (versão digital de 23 de março de 2011), relatando um estudo publicado na revista Science, sobre a descoberta de vestígios que indicam que o povoamento da América começou há mais tempo do que muitos imaginaram. Na verdade, a datação mais antiga vem sendo proposta por pesquisadores há décadas, mas parte da comunidade acadêmica, sobretudo estudiosos dos EUA, insistia em uma datação mais recente. As descobertas citadas na reportagem reforçam os argumentos dos defensores do povoamento mais antigo. Outra observação: o texto fala de uma “civilização” que teria chegado há mais tempo na América. Naturalmente, o termo civilização, neste caso, está sendo usado como sinônimo de uma cultura material e não no sentido de uma sociedade complexa com cidades e Estado, como se costuma considerar.

Homem já ocupava América do Norte há 15.500 anos

Ferramentas achadas no Texas são 2.500 anos mais antigas que os vestígios dos humanos de Clóvis, conforme estudo publicado na 'Science’

O homem chegou à América do Norte 2.500 anos antes do que se pensava, de acordo com um estudo publicado no periódico americano Science. Cientistas da Universidade Texas A&M analisaram mais de 15.000 objetos de pedra encontradas a 65 quilômetros de Austin, no Texas (EUA), e estimaram que foram feitos há 15.500 anos. Até agora, a evidência mais antiga da ocupação humana na América do Norte era o sítio arqueológico de Clóvis, no estado do Novo México (EUA), onde foram encontrados vestígios de uma civilização que teria cruzado o Estreito de Bering, da Ásia à América do Norte, há 13.000 anos.

Os 15.000 objetos foram encontrados abaixo da camada de terra comumente associada ao período dos humanos de Clóvis. Para o arqueólogo Michael Waters, chefe da pesquisa, o achado é a indicação de que existiu uma civilização (sic) mais antiga do que se pensava na América do Norte. "A descoberta nos desafia a repensar como ocorreu a colonização do continente americano", disse o cientista, em entrevista ao jornal inglês Guardian.

A maior parte dos objetos encontrados são os restos da fabricação e manutenção de outras ferramentas. Contudo, "mais de 50 são ferramentas propriamente ditas", disse Waters. De acordo com o arqueólogo existem objetos que aparentam ser projéteis e outros que foram feitos com o propósito de raspar e cortar. Os cientistas acreditam que as ferramentas eram pequenas para que pudessem ser levadas com facilidade para outras localidades. 
Embora os objetos sejam diferentes da cultura Clóvis, Waters acredita que os dois sítios arqueológicos podem ter ligação. "A civilização que produziu os objetos que encontramos teve tempo suficiente para aprender a construir objetos que hoje reconhecemos como sendo da cultura Clóvis", disse. "Acho que passou da hora de formularmos um novo modelo para o povoamento das Américas", afirmou o arqueólogo.

quinta-feira, 24 de março de 2011

20 - Imagens da civilização minóica

Pessoal, seguem algumas imagens do Palácio de Cnossos e da civilização minóica ou minoana da Idade de Bronze (segundo milênio aC). No mapa, a ilha de de Creta, palco da civilização minóica, aparece em vermelho.

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File:Palace of Knossus.jpg


ARTIST'S IMPRESSION OF THE PALACE OF KNOSSOS



File:Knossos R01.jpg

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File:Knossos bull.jpg

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19 - Imagens Thera



Pessoal, seguem algumas imagens da ilha de Thera (Santorini), palco da famosa explosão vulcânica em meados do segundo milênio aC, e do sítio arqueológico de Akrotiri. No mapa, a localização de Santorini nas Ilhas Cíclades.





File:Santorini Landsat.jpg