quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

7 - Estudante de 16 anos passa em nove vestibulares de medicina


Pessoal, recebi uma mensagem interessante do professor Riemma. Trata-se de uma reportagem sobre uma estudante de 16 anos aprovada no vestibular em diversas universidades. Saiu no G1 (09/02/2011)

Estudante de 16 anos é aprovada em nove vestibulares para medicina

'Sempre fui exigente demais comigo', diz Marcela. Garota vai estudar na Universidade de São Paulo (USP).

                                                                                                    Vanessa FajardoDo G1, em São Paulo

Marcela Malheiro Santos, de 16 anos, tem o privilégio de escolher entre o curso de medicina de nove universidades brasileiras. A estudante foi aprovada nas principais instituições de ensino do país, entre elas: Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
 No total, Marcela prestou 13 vestibulares. Passou em nove, não passou em quatro. A estudante já decidiu: vai fazer o curso de medicina da USP.
Filha de um bancário e uma profissional de biblioteconomia, a estudante diz que seus pais nunca exigiram que ela fosse uma aluna excelente e tivesse sucesso no vestibular. A mãe, inclusive, avisou que a família faria um esforço para mantê-la em uma universidade particular caso ela não conseguisse vaga nas públicas. Porém, Marcela nem trabalhou com esta hipótese.
"Sempre fui exigente demais comigo. Na escola se eu tirasse nove ficava mal e ia questionar o professor", disse Marcela ao receber a reportagem do G1 em sua casa, no bairro de Pirituba, em São Paulo, na manhã desta quarta-feira (9). Em plena entrevista, o nome da vestibulanda aparecia em mais uma lista, a dos aprovados em medicina pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Mesmo antes de concluir o ensino médio, o nome da estudante já aparecia na lista de classificados da USP. No ano passado, ela foi aprovada como treineira na área de biológicas, e no primeiro ano do ensino médio também passou para a segunda fase, mas não fez a prova porque foi viajar.

Quando criança, ela 'pulou' um ano
Ainda criança, Marcela mostrou seu potencial. Quando tinha 6 anos, sua mãe foi informada pela professora de educação infantil da escola onde estudava que a menina já estava alfabetizada e portanto atrapalhava o andamento da turma, por isso deveria ser matriculada no primeiro ano do ensino fundamental, ou seja, "pular" um ano. A mãe, na época, teve dificuldades de encontrar um colégio que aceitasse a matrícula já que a menina ainda não havia completado 7 anos.
Marcela fará 17 anos no próximo dia 22 de fevereiro. Para ela, a pouca idade não será problema quando estiver na faculdade. "Todo mundo estará lá com o mesmo objetivo. Foi difícil para todo mundo da mesma forma, por isso a idade não faz diferença."
Aluna do Colégio Integrado Objetivo, em São Paulo, Marcela diz que não esperava passar em nenhum dos vestibulares que prestou. Tanto que chegou a se matricular como garantia na PUC-Paraná, uma das primeiras instituições a divulgar o resultado. "Toda vez que via meu nome na lista de aprovados ficava muito surpresa", afirma.

Dedicação
Tanto sucesso não foi à toa. Marcela sempre foi boa aluna, ama ler e reservou o ano de 2010 para se preparar ao vestibular. Desistiu das aulas de balé, jazz e sapateado, das conversas com os amigos pela internet, e dos passeios. No máximo, dava uma volta de meia hora de bicicleta, pelo bairro onde mora, em Pirituba, aos domingos.
De manhã, frequentava as aulas regulares do terceiro ano do ensino médio, e à tarde aproveitava as atividades extras da escola, como plantão de dúvidas e aulas de redação. Em casa estudava na escrivaninha no quarto, sob silêncio total. "Nunca fui de ficar estudando o tempo todo, mas prestava muita atenção nas aulas. Os professores dão dicas do que vai cair e há questões modelo que você pode treinar", destacou.
A tática de Marcela foi inversa da maioria dos vestibulandos. Entre janeiro a maio de 2010, ela pegou pesado nos estudos, e relaxou no segundo semestre. "Não dá para estudar como maluca. Você fica muito cansada e dá mais nervosismo na hora da prova."

Escolha
A opção por estudar medicina veio de empurrão dos pais que consideram que ela tem perfil para carreira. A garota não imagina como será o curso, nem tem ideia da especialidade que pretende seguir. No momento, está ansiosa com o trote. "Estou com um pouco de medo, mas conheço uma menina que está no segundo ano que pode me ajudar", brinca.
Concluída a missão de passar no vestibular, Marcela tem planos de fazer dança de salão e voltar a viajar - uma de suas paixões. Quando fez 15 anos pode escolher entre uma festa e uma viagem. Fez a segunda opção e passou 30 dias viajando pela Europa com a irmã que também seguiu carreira em saúde e é dentista. Para comemorar o sucesso nos vestibulares, Marcela pretende fazer uma nova viagem com os pais.

Veja dicas de estudos da vestibulanda
- Se possível, dedicar o ano aos estudos e dispensar demais compromissos;
- Não estudar muitas horas por dia;
- Prestar atenção nas aulas e nas dicas dos professores;
- Responder questões de vestibulares anteriores, pois muitos modelos são mantidos;
- Ler revistas, jornais, livros e sites informativos;
- Aos alunos que ainda não estão no terceiro ano, vale a pena prestar vestibular como treineiro;
- Revisar a matéria do dia, em casa;
- Fazer uma redação por semana;
- Buscar formas de relaxar o corpo e a mente pelo menos uma vez por semana;
- Evitar comidas pesadas, como fritura, principalmente antes das provas.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

1 - Bem-vindo(a)!

Bem-vindo(a)!


Estamos iniciando mais um ano letivo. Neste blog você encontrará:

■ Esquemas e textos de História do conteúdo do 1o ano do Ensino Médio, de acordo com o programa do PAS/UnB.

■ Comentários e sugestões de livros e filmes.

■ Trechos de reportagens e de outros blogs sobre história e atualidades.

O blog só publica comentários de usuários com conta no Google. Portanto, se você quiser comentar as postagens terá que criar a sua conta. Comentários que eu considerar ofensivos serão apagados.

Lembre-se que a construção do conhecimento não é algo fácil. O estudo pode ser, às vezes, divertido. Mas ele exige sempre esforço, o que envolve concentração, dedicação e sacrifício.

Bom trabalho!

2 - Conteúdos e sugestões de leituras

Conteúdo e sugestões de leituras


O conteúdo da 1a etapa do PAS/UnB envolve História Geral nas Idades Antiga, Média e Moderna e História do Brasil Colônia. Mais precisamente em História Geral, os assuntos são:

■ Antiguidade Clássica: Grécia e Roma
■ Cristianismo
■ Europa Medieval
■ Islã
■ Europa nos séculos XV-XVII: Revolução Comercial, Renascença, Reforma Religiosa e Absolutismo
■ Expansão marítima européia, mercantilismo e colonialismo
■ América Pré-Colombiana
■ América Colonial


Os assuntos da História do Brasil são:
■ Sociedades indígenas
■ Colonização portuguesa
■ Invasões estrangeiras
■ Os africanos na colonização do Brasil


Os livros adotados pela escola e os textos avulsos atendem esses assuntos. Contudo, se você gosta de História e deseja aprofundar o conteúdo, sugiro os seguintes títulos:

Sobre a História do Brasil

História do Brasil. Boris Fausto (Editora EDUSP, 1994)
Lançado há mais de uma década, esse livro de Boris Fausto consolidou-se como o melhor manual de História do Brasil, tornando-se referência no gênero.

Uma Breve História do Brasil. Mary del Priore e Renato Venâncio (Editora Planeta do Brasil, 2010)
De leitura fácil e agradável, essa obra segue uma linha narrativa e menos acadêmica do que o livro de Boris Fausto.

Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil. Leandro Narloch (Editora Leya, 2009)
Escrito por um jornalista inspirado no sucesso da série americana The Politically Incorrect Guide's, esse livro propõe uma interessante revisão de alguns mitos da história do Brasil.

Sobre a História Geral

Civilização Ocidental – Uma História Concisa. Marvin Perry (Editora Martins Fontes, 1999)
Esse manual universitário de leitura fácil é a melhor síntese disponível em língua portuguesa sobre a história da Europa, das origens da civilização ao final do século XX. Abrangente, bem escrito e com ótimas análises – destacando-se os capítulos sobre o pensamento e a cultura ocidental – é um livro que vale a pena ser adquirido para a sua biblioteca.

A Riqueza e a Pobreza das Nações. David Landes (Editora Campus, 1998)
Por que algumas nações são tão ricas e outras tão pobres? O autor estuda a trajetória das nações “vencedoras” e das “perdedoras” nos últimos 600 anos, destacando o papel da cultura no sucesso – ou fracasso – econômico e militar dos povos. Excelente análise.

O Oriente Médio – Do Advento do Cristianismo aos Dias de Hoje. Bernard Lewis (Jorge Zahar Editor, 1996)
Excelente descrição e análise da história do Oriente Médio entre o final da Antiguidade e a Guerra do Iraque de 1990-1991. Leitura fundamental.

História das Idéias Políticas. Oliver Nay (Editora Vozes, 2007)
Ótimo manual que descreve e analisa as idéias políticas de centenas de pensadores da Antiguidade Clássica aos nossos dias. Os capítulos 1, 2 e 3 especialmente tratam do período cobrado na 1a etapa do PAS/UnB.

Sobre a História da América

1491 – Novas Revelações da América Antes de Colombo. Charles C. Mann (Editora Objetiva, 2007)
Uma das poucas obras atualizadas, em português, sobre os estudos mais recentes da história das sociedades pré-colombianas.

História da América Latina Vol. I e II – América Latina Colonial. Leslie Bethel (Editora EDUSP, 1997)
Esse livro faz parte de uma coleção originalmente editada pela Cambridge e organizada por Leslie Bethel, dos quais seis volumes foram traduzidos no Brasil. É inegavelmente a melhor e mais detalhada obra sobre a história da América Latina. Os dois primeiros volumes abrangem o período cobrado na 1a etapa do PAS/UnB, inclusive com capítulos sobre o Brasil colonial.

Esses títulos constituem a biblioteca básica do nosso conteúdo para, repito, quem quiser aprofundá-lo. No decorrer das postagens dos assuntos, vou citar outros títulos mais específicos.

3 - Conceitos básicos (I)

AULA 1 - O QUE É HISTÓRIA

1. A origem da palavra “história”

A palavra história surgiu na Grécia antiga com o significado de “informação”, “investigação” e “pesquisa”. O termo evoluiu para o sentido de conhecimento do passado humano por influência dos trabalhos dos historiadores clássicos gregos (séculos V-IV aC), que viviam em uma cultura marcada pelo racionalismo e pelo antropocentrismo. Em suas pesquisas, os gregos já possuíam uma preocupação com a crítica aos testemunhos históricos, procurando entender as razões das ações humanas nos acontecimentos. Concentrando-se nos estudos do passado mais recente, os historiadores gregos elaboraram obras sob a forma de narrativas que enfatizavam os aspectos políticos e militares dos acontecimentos, buscando explicar as suas causas. Entre esses historiadores destacaram-se Heródoto (480-425 aC) e Tucídides (460-400 aC). Heródoto foi o precursor, autor do livro “Histórias”, resultado de suas pesquisas sobre as guerras entre os gregos e o Império Persa. Devido ao seu pioneirismo nas investigações do passado, foi chamado de “pai da História” pelo famoso político romano Cícero (106-43 aC). Tucídides foi autor de um dos mais importantes estudos históricos de todos os tempos, a “História da Guerra do Peloponeso”, que trata do conflito entre as cidades gregas. Tucídides foi mais rigoroso do que Heródoto na crítica às fontes, desenvolvendo um método científico e uma imparcialidade notável.

2. O conceito moderno de história
 
Atualmente “história” é uma palavra polissêmica, isto é, possui vários significados. Entre eles, dois se destacam: a história como “acontecimento” (escreve-se com h minúsculo) e a História como “conhecimento” (escreve-se com H maiúsculo).
 
2.1 A história
 
Em princípio, história é tudo o que aconteceu e o que acontece, podendo-se falar em “história da natureza” ou em “história do universo”. No sentido dado pelas ciências humanas, fala-se em “história dos homens”: o conjunto dos fatos de curta ou de longa duração que ocorreram e ocorrem nas sociedades humanas e na vida dos indivíduos. Em geral, os fatos históricos não são acontecimentos isolados, mas fazem parte de uma cadeia de acontecimentos interligados, envolvendo as diversas áreas de atuação dos homens (cultural, política, econômica) em suas relações entre si e com a natureza. O desenrolar desses acontecimentos, as mudanças, permanências e transformações das sociedades humanas no tempo constituem o processo histórico.

Quem faz a história?
 
Essa é uma das questões mais polêmicas da História. Em princípio, a história é um fenômeno social, resultado da ação inconsciente ou consciente de indivíduos, de grupos de pessoas e dos povos. Nesse sentido, os homens e as mulheres fazem a história de forma coletiva, estabelecendo relações entre si e com a natureza, constituindo pequenas comunidades, tribos, classes sociais, nações, Estados etc. Contudo não devemos desprezar ou minimizar o papel do indivíduo nos acontecimentos históricos. A personalidade, as idéias, as atitudes, as decisões e indecisões de um dirigente político ou de um comandante militar, as concepções de um líder religioso ou de um filósofo, ou o gênio criador de um artista ou de um poeta, podem marcar profunda e decisivamente a história de uma ou de várias sociedades, em alguns casos alterando o rumo de seus processos históricos. Ainda assim, os chamados “grandes personagens” da história, por mais importantes que tenham sido, nunca agiram sozinhos e sempre tiveram algum tipo de ligação de dependência com parte da coletividade em que viviam. O indivíduo somente se destaca na história, com um papel decisivo para a sua época ou para a posteridade, quando suas ações ou idéias desencadeiam algum efeito sobre a sociedade, com seguidores, discípulos, admiradores, críticos e opositores – em muitos casos, não durante a vida do indivíduo, mas após a sua morte. Ou seja, ele se torna um “grande personagem” quando seus atos são transformados em um fenômeno social. Além disso, a ação do indivíduo (e também da coletividade em que está inserido) é limitada pelo contexto em que se encontra – as condições reais culturais, econômicas, sociais e políticas de sua época.

2.2 A História

A História entendida como “conhecimento” é derivada do sentido criado pelos antigos historiadores gregos. Nesse caso, História é o estudo do passado humano, distante e recente, buscando descrevê-lo e explicá-lo o mais objetivamente possível a partir do exame crítico das fontes históricas: os registros (documentos escritos, vestígios materiais, tradições e memória orais) dos fatos históricos, objetos de uma rigorosa análise dos historiadores. Essa investigação científica constitui a crítica histórica, ou seja, a verificação da autenticidade, a comparação e a interpretação das fontes históricas.

Neutralidade, objetividade e cientificidade da História

As informações fornecidas pelas fontes históricas são conseqüências das perguntas feitas pelo historiador – as perguntas que ele considera pertinentes para a pesquisa que está fazendo. Por essa razão, a ideologia e a base teórica que o historiador possui – a sua visão de mundo – assim como o momento histórico em que vive, o influenciam no uso dos documentos, na sua investigação científica e na elaboração do conhecimento. Além disso, ao selecionar e fazer a crítica das informações e dados que lhe interessam, baseando-se nas fontes históricas disponíveis e em determinadas teorias, o historiador faz uma reconstituição inevitavelmente incompleta. Os fatos e processos históricos estudados pelos historiadores são parte da história, mas não são toda a história. Isso significa que, quando analisa a história ou mesmo quando tenta reconstituí-la sem nenhuma pretensão de explicá-la, o historiador acaba sendo parcial, por mais que busque a objetividade. Como nas demais ciências humanas, o conhecimento criado pelo historiador não é completo ou acabado e pode ser superado por descobertas e estudos posteriores. As explicações dos fatos e dos processos históricos, com o tempo, são enriquecidas, revistas e, quando necessário, corrigidas por novas informações e por novos estudos.

A importância da História segundo os gregos
 
Heródoto e Tucídides, como os demais historiadores gregos, tinham consciência da importância da História para a formação político-cultural do indivíduo e para o conhecimento humano de uma maneira geral:
 Ao escrever suas pesquisas, Heródoto de Halicarnasso pretendeu evitar que as ações praticadas pelos homens se apagassem com o tempo e que os grandes e admiráveis acontecimentos tanto dos gregos quanto dos bárbaros não ficassem esquecidos... (Heródoto)
                                                                                                                                  
Pode acontecer que a ausência do fabuloso em minha narrativa pareça menos agradável ao ouvido, mas quem quer que deseje ter uma idéia clara tanto dos eventos ocorridos quanto daqueles que algum dia voltarão a ocorrer em circunstâncias idênticas ou semelhantes em conseqüência de seu conteúdo humano, julgará minha História útil e isto me bastará. Na verdade, ela foi feita para ser um patrimônio sempre útil, e não uma composição a ser ouvida apenas no momento da competição por algum prêmio. (Tucídides)
 

3. A História e o tempo
A História é, fundamentalmente, o estudo do homem no tempo. Por essa razão, os historiadores precisam estabelecer uma cronologia, a atividade que verifica as datas e determina a ordem de sucessão dos acontecimentos no tempo, um tempo histórico que é irreversível e contínuo. Esse arranjo cronológico dos eventos é conhecido como datação, que serve de base para a periodização da história.
3.1 A datação
As datas na História baseiam-se nos calendários, que consideram como ano 1 o ano em que ocorreu um determinado fato extraordinário e marcante, sendo a partir dele contados os outros acontecimentos, posteriores e anteriores. No Ocidente, utiliza-se o calendário cristão, que considera como ano 1 o ano do nascimento de Jesus Cristo, o início de uma nova era – a “Era Cristã”. Em função disso os fatos são datados como ocorridos antes de Cristo (aC) ou depois de Cristo (dC), usando-se também a sigla AD, de anno Domini (“ano do Senhor”), no lugar de dC. De uma maneira geral, quando aparece uma data sem as siglas aC ou dC pressupõe-se que ela se refere a um fato ocorrido na Era Cristã. Um termo alternativo a “depois de Cristo” e a anno Domini é Era Comum (EC). Neste caso, os acontecimentos que antecederam a Era Comum são datados como AEC.
3.2 A periodização
A periodização busca organizar cronologicamente o processo histórico de uma sociedade ou de toda a humanidade, dividindo-o em idades ou épocas separadas uma das outras por acontecimentos-chaves. Esses acontecimentos simbolizam uma ruptura, a passagem de um período caracterizado, em suas linhas gerais, por uma organização social predominante ou típica (com uma cultura, modelo político e sistema sócio-econômico específico) para outro período, com um novo tipo de organização social, ainda que esta nova sociedade possua elementos da época anterior. A periodização da história da humanidade mais utilizada nasceu no Ocidente no século XVII e foi consolidada no século XIX. Ela tem como modelo o desenvolvimento histórico da Europa Ocidental e continua sendo amplamente adotada, apesar de suas limitações (seus críticos chamam-na de eurocêntrica, isto é, que considera a cultura européia superior às demais e sua história o padrão para se explicar a história das sociedades não-européias). As cinco idades da história geral ou universal e suas datas simbólicas, de acordo com a periodização mais utilizada no Brasil são:
Pré-História
Época das sociedades ágrafas (sem escrita) e simples ou primitivas (predomínio da subsistência, pouca diferenciação social, ausência do Estado). O começo da Pré-História está situado por volta de 2 milhões de anos atrás (aparecimento do gênero homo na África), mas seu término, simbolizado pelo aparecimento da escrita, varia dependendo da sociedade em questão e de sua localização geográfica. No Oriente Próximo (Ásia Ocidental e Egito) ela se encerrou por volta de 3000 aC, a data mais utilizada na periodização tradicional.
Idade Antiga (3000 aC-476 dC)
Época das primeiras civilizações – sociedades complexas com grandes diferenças sociais, cidades, comércio, Estado (instituições políticas, funcionários especializados, governo organizado) e, em geral, escrita. Na concepção tradicional, a Idade Antiga começou simbolicamente por volta de 3000 aC com a emergência das civilizações do Oriente Próximo e se encerrou em 476 com a queda do Império Romano Ocidental (a “queda de Roma”).
Idade Média (476-1453)
Período situado entre a queda do Império Romano Ocidental (476) e a queda do Império Romano Oriental ou Império Bizantino (1453). Na história da Europa Ocidental, a Idade Média costuma ser vista como a época da formação, apogeu e declínio da civilização católica feudal.
Idade Moderna (1453-1789)
Período situado entre 1453 e, de acordo com a visão mais usual, 1789 (começo da Revolução Francesa). Na história da Europa Ocidental, foi a época da transição da sociedade tradicional (economia agrária, predomínio da vida rural, forte religiosidade) para a modernidade (economia industrial, intensa urbanização, avanço do racionalismo e cientificismo). Essa transformação costuma também ser chamada de transição do feudalismo para o capitalismo.
Idade Contemporânea (1789 em diante)
Período que vai de 1789 aos dias atuais. É a época da afirmação da modernidade ou sociedade moderna, marcada pela revolução industrial e seus desdobramentos econômicos, sociais, políticos e culturais. Nesse período a globalização intensificou-se e todas as comunidades humanas ficaram conectadas por redes de interdependência.
 

Bibliografia

BORGES, Vavy P. O Que é História. São Paulo, Editora Brasiliense, 1981. De fácil leitura, esse pequeno livro é uma das melhores introduções à História, de fácil compreensão.
CARDOSO, Ciro F. Uma Introdução à História. São Paulo, Editora Brasiliense, 1981. Livro introdutório ao estudo da História, com uma excelente análise da cientificidade do conhecimento histórico.
 




                                                                                                                                  

 

 

 

 

 


 

sábado, 22 de agosto de 2009

4 - Leituras (1)

Pessoal, uma dica de livro: A Ascensão do Dinheiro, de Niall Ferguson, um dos meus historiadores preferidos. Quem comenta é Benedito Sverberi na Veja (26 de agosto 2009)

Dinheiro também é cultura

Um livro demonstra que a inovação financeira sempre foi um fator central no avanço da civilização – e devolveà economia sua dimensão de aventura intelectual

Em novembro do ano passado, quando os mercados financeiros mundiais estavam mergulhados no pânico absoluto, a rainha Elizabeth da Inglaterra visitou a London School of Economics para inaugurar um novo prédio. Na ocasião, aproveitou para perguntar aos professores da tradicional escola de economia o motivo da irrupção de uma das mais profundas crises econômicas da história. "Mas como ninguém percebeu o que estava acontecendo?", questionou a rainha, que é famosa por sempre manter a fleuma e evitar ao máximo emitir opiniões sobre qualquer assunto. "Terrível." A rainha, é óbvio, não esteve sozinha ao pôr em dúvida o tirocínio dos economistas. Desde a eclosão da crise, eles e seus modelos teóricos caíram em desgraça. As ferramentas financeiras desenvolvidas nos últimos cinquenta anos foram classificadas de inúteis, nas críticas mais amenas, ou de perniciosas, nas mais acerbas. Também voltou com força a ideia de que as bolsas não são mais do que cassinos vulgares, nos quais espertalhões fazem fortuna à custa de inocentes. Escrito por um súdito da rainha, o historiador escocês Niall Ferguson, A Ascensão do Dinheiro (tradução de Cordelia Magalhães; Planeta; 424 páginas; 49,90 reais) ajuda a combater esse espírito. Primeiro, ao demonstrar que a inovação financeira sempre foi um fator central no avanço das sociedades – ou mesmo das civilizações. Em segundo lugar, por conferir à reflexão econômica a sua devida dimensão de aventura intelectual.

"Atrás de cada fenômeno histórico grandioso existe um segredo financeiro", afirma Ferguson. A Ascensão do Dinheiro traça a história das finanças desde os seus primórdios, na Mesopotâmia. E essa história, diz Ferguson, não deve ser vista apenas como um pano de fundo para os grandes acontecimentos da cultura e da política. Todos os fios estão entretecidos. Na transição dos séculos XIV e XV, por exemplo, o florescimento dos negócios bancários na Itália foi condição indispensável para que a Renascença tivesse seus esplendores. Da mesma forma, a criação das finanças corporativas foi alicerce para o império britânico, e a expansão da indústria de seguros e do crédito ao consumidor, um pressuposto da prosperidade americana no século XX. Ferguson, obviamente, não deixa de registrar os momentos de ruptura. Seria uma das "verdades perenes" da história financeira o fato de que, "mais cedo ou mais tarde, as bolhas sempre explodem". No balanço geral da história, contudo, os ganhos sempre se sobrepõem às perdas. Ferguson rejeita peremptoriamente a tese de que a pobreza decorre da exploração de homens simples por financistas predatórios. "A pobreza", diz ele, "tem muito mais a ver com a falta de instituições financeiras e de bancos do que com sua presença."

O livro de Ferguson também é valioso por apontar muitos dos personagens que, ao longo dos séculos, foram responsáveis pelas grandes inovações no mundo das finanças. São figuras como o matemático italiano Leonardo de Pisa, ou Fibonacci, responsável pela introdução do sistema decimal na Europa da Idade Média, ou o barão Nathan de Rothschild, um dos fundadores da dinastia de financistas que dominou o sistema bancário europeu no século XIX e aperfeiçoou a emissão de títulos de dívidas de países. Aparecem, por fim, alguns dos pais do pensamento financeiro contemporâneo, calcado na matemática e que deu base para o extraordinário crescimento daquilo que Ferguson chama de "Planeta Finanças", com sua miríade de títulos e derivativos. São acadêmicos ainda vivos e atuantes, como Harry Markowitz, pioneiro no estudo de diversificação de carteiras de investimentos, e Myron Scholes, que, junto com Fischer Black (já falecido), desenvolveu a fórmula de Black-Scholes, uma equação matemática utilizada para dar preço a ativos financeiros. Eles são os principais alvos daqueles que, na esteira da crise, falam no desmoronamento de uma parte considerável do edifício teórico da economia capitalista.

Ferguson ajuda a separar as críticas pertinentes ao pensamento financeiro moderno daquelas que são apenas mistificação ideológica. Lança luz, principalmente, sobre o campo em desenvolvimento da economia comportamental, que põe em xeque a abstração que está no centro da teoria financeira contemporânea: a ideia de que os indivíduos que atuam no mercado são sempre "racionais", ou seja, capazes de processar informações de maneira perfeita, de modo a tomar decisões que sempre maximizem os seus ganhos e respondam da melhor maneira aos seus interesses. Diz Ferguson: "Se o sistema financeiro tem um defeito, é que ele reflete e amplia aquilo que somos, como seres humanos. Os booms e quebradeiras são produto, na raiz, da nossa volatilidade emocional". A despeito da crise, as ferramentas financeiras desenvolvidas nos últimos cinquenta anos não serão abandonadas. Os mercados já não conseguem viver sem elas – e isso é bom, pois, apesar de suas falhas, elas foram fundamentais para democratizar o crédito e o consumo, cumprindo seu papel histórico de alimentar o desenvolvimento. Como Ferguson sugere, mais que derrocada, a palavra que melhor se aplica ao processo por que estão passando os mercados financeiros neste exato momento é evolução. Como em tantas outras vezes no passado.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

5 - Reflexões (1)

Postei o texto abaixo em um blog mais antigo, em 2007.

Para refletir:

Você algum dia já imaginou a possibilidade de estar inteiramente errado? Já concedeu a essa hipótese a atenção tranqüila e sem prevenções que concedeu à hipótese oposta? Já buscou argumentos em favor da possibilidade que mais o desagrada no momento, já buscou imaginar as coisas como as imaginam os que acreditam nela? Já tentou se transportar em pensamento para dentro da alma dessas pessoas, sentir como elas, ver o mundo como elas vêem, como se você fosse representar o papel de uma delas no teatro e tivesse de fazê-lo com o máximo realismo interior ao seu alcance e, pior ainda, despertar a simpatia da platéia pelo personagem?

Olavo de Carvalho in Recado atrasado a Rodrigo Constantino
(www.olavodecarvalho.org)

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

6 - Filmes de guerra

Pessoal, no ano passado (2008) a revista Aventuras na História, na série Grandes Guerras, da Editora Abril, lançou um número especial chamado 100 Melhores Filmes de Guerra de Todos os Tempos. A lista foi elaborada por 12 jornalistas, críticos de cinema e historiadores. Para os aficionados, vale a pena comprar. No início de 2008, a americana Military History Magazine lançou uma edição semelhante – 100 Greatest War Movies.

Os 10 filmes que encabeçam a lista das Grandes Guerras são:
1. Apocalypse Now
2. Sem Novidades no Front (1930)
3. Glória Feita de Sangue
4. Cartas de Iwo Jima
5. Tempo de Glória
6. O Resgate do Soldado Ryan
7. Além da Linha Vermelha
8. A Lista de Schindler
9. A Cruz de Ferro
10. Waterloo

Os 10 filmes que encabeçam a lista da Military History Magazine são:

1. Sem Novidade no Front (1930)
2. Glória Feita de Sangue
3. O Barco – Inferno no Mar
4. Cartas de Iwo Jima
5. Alexander Nevsky
6. Lawrence da Arábia
7. A Grande Ilusão
8. O Resgate do Soldado Ryan
9. Platoon
10. Tempo de Glória

A minha lista é:

1. Sem Novidade no Front
2. Waterloo
3. Tora Tora Tora
4. Band of Brothers
5. O Resgate do Soldado Ryan
6. Deuses e Generais
7. A Ponte do Rio Kwai
8. O Mais Longo dos Dias
9. 300
10. Cartas de Iwo Jima